Our monsters

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Havia um homem que não se acostumava com a paz e a alegria de sua rotina. Precisava incitar momentos de tensão para sentir a adrenalina que o fazia se sentir vivo.

Com isso, acabava com um, dois, cinco dias bons. O tempo corria manchado com as pegadas da sua ira. Quantos risos, quantos olhares, quantos beijos jogados fora? Coisas que não voltam atrás.

O homem se saciava no turbilhão que causava tal qual um dependente químico. Entrava em êxtase, mas o efeito passava e ele ansiava pela sua rotina novamente. Mais um período de paz se iniciava. Ele se sentia bem. Mas não saberia dizer até quando aquilo seria suficiente para ele.

Esse homem parecia não saber o que ele queria de verdade. Parecia viver em guerra consigo mesmo num momento de transição da personalidade. Reclamava do que faziam com ele, mas logo depois era ele quem fazia aquilo mesmo. Sua dor parecia ser maior que a de todos. E no julgamento nunca esgotava todas as informações antes do seu veredicto que era sempre a seu favor.

Ele vivia assombrado por fantasmas do passado. Fantasmas que colocaram na vida dele e que consistem num trabalho muito árduo para se desfazer. Mas tem momentos que esse homem reconhece, tem momentos que não. E esses fantasmas vão e vem. Por isso ele não é leve. E seu peso o envelhece. Às vezes parece ser outra pessoa, aquele que não pode se sentir inferior, que vive competindo, querendo ter razão até no que ele mesmo sabe que não tem.

Às vezes é doce, sensível e exímio cobrador. Cobrando mais, mais e mais do que até ele nem mesmo faz. Não enxerga o que é feito, só o que deixou de ser feito. Esse homem enxerga tudo a partir da perspectiva dele como o centro. Esse homem é triste e sempre será.

But we hope no…